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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

AMOR INCONDICIONAL

" Se conhecêssemos a real intenção de nossos mais nobres atos, ficaríamos horrorizados"  La Rouchfoulcault


 A frase aparentemente pessimista deste grande escritor francês enseja importantes reflexão acerca de nosso próprio auto-conhecimento e evolução espiritual. Após a maioria de nós, do movimento espírita, termos saído da inércia da neutralidade diante de nossas mazelas morais e do sofrimento do mundo, buscamos através dos atos de caridade a válvula de escape para nossas culpas e cobranças oriundas de andanças equivocadas do passado. 
 Porém, como ainda é natural, o peso da escuridão de nossas almas obnubila os horizontes verdadeiros de bem-aventurança, que advém do amor incondicional que nos faz ver o outro como irmão e lhes estender as mãos em auxílio nos momentos de dificuldade, sem considerar gratidão o recompensa.Em nosso caso, o amor anda atrelado ao apego, o desinteresse é perseguido pelo desejo de vantagens materiais efêmeras e homenagens ao ego transitório, que ainda deseja dominar, aparecer, ostentar. Neste ponto, a suprema alegria do Bem perde espaço para a satisfação superficial da personalidade que consegue uns poucos momentos de evidência.
  Nesta postura tudo vai bem até a homenagem esperada não vir, ou a gratidão almejada não aparecer, ou a recompensa ocultamente desejada ser menos opulenta. Neste ponto, quando o amor não é desapegado, se transforma em algema de angústia, raiva, ansiedade e tantas outras emoções negativas que transformam nosso' ato caridoso" em tortura moral, e nesse diapasão, muitos desistem de fazer o bem, alegando a indiferença e a ingratidão dos demais. Nesse ponto há de se perguntar: por onde andam as nossas intenções ?
 Que fazer ? A resposta se encontra mais perto de nós do que pensamos, por estar em nós mesmos, ou melhor, por SER NÓS MESMOS. Aquele que se ama em plenitude, se vendo como perfeita manifestação de Deus, o Amor Eterno, não se agasta por não receber nada de ninguém, porque tem perfeita consciência de que tudo que necessita já está dentro dele mesmo, alimentando-o constantemente de transcendental felicidade e amor. Por esta razão, suas intenções sempre serão puras, porque livres de qualquer conteúdo egotista e orgulhoso.
Muitas vezes a ingratidão dói, mas o amor de Deus a tudo cura, e mesmo aquele que no momento não nos pode compreender, no futuro, a semelhança do filho pródigo cansado das ilusões dos prazeres irresponsáveis, voltará ao aconchego dos corações daqueles que os ama verdadeiramente.